O jornalista, pesquisador e professor Doutor Carlos Eduardo Lins da Silva, veio a Natal e palestrou na última terça-feira (01), para estudantes da UFRN. A palestra fez parte da Aula Inaugural do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia (PPGEM).Natural de Santos-SP, o jornalista começou suas atividades aos 19 anos, e coleciona um currículo lattes invejável. Sua formação acadêmica inclui graduação em jornalismo na Faculdade de Comunicação Casper Líbero; Mestrado na Michigan University State, nos Estados Unidos, em 1976, com o tema Mass Media and Environmental Affairs: a case study in Santos, Brazil; Doutorado em Ciências da Comunicação, jornalismo, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em 1984, com a tese (posteriormente adaptada para livro, virando best-seller nacional) Muito além do Jardim Botânico: estudo da consciência crítica dos trabalhadores face à representação do real feita pelo telejornalismo: pesquisa-ação nos bairros de Lagoa Seca (RN) e Paicará (SP) sobre a recepção do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão; Livre docência, também na ECA, em 1987, com a tese Mil Dias – análise das mudanças no processo de produção da Folha de S. Paulo durante a implantação do “Projeto Folha” (maio/1984 – fevereiro/1987); além dessas teses, Lins da Silva escreveu diversos livros, sendo considerado como o de maior repercussão O Adiantado da Hora: a influência americana sobre o jornalismo brasileiro, publicado pela Editora Summus em 1991.
Carlos Eduardo Lins da Silva também foi um docente incansável, lecionando diversas disciplinas nos cursos de comunicação na Universidade de São Paulo, no Instituto Metodista de Ensino Superior, na Universidade Católica de Santos, na Faculdade Casper Líbero e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Também trabalhou como redator, editor e colaborador de revistas científicas e jornais de comunicação, além de ser membro fundador da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e ter atuado na mesma como secretário-geral, membro do conselho fiscal e vice-presidente.
Aula Inaugural
Apesar do currículo invejável, como aqui foi dito, a aula inaugural e a palestra deixaram a desejar. O conhecido Ombudsman do jornal Folha de São Paulo, decepcionou os alunos que esperavam uma palestra rica em experiências de mercado e do tão polêmico cargo de Ombudsman.
A palestra foi dominada por uma seqüência histórica da origem do jornalismo no Brasil até os dias de hoje. Pouco foi colocado com exceção de pequenos trechos de suas teses de mestrado e doutorado.
Alguns jornalistas blogueiros de mão cheia da capital potiguar, se indignaram com a posição do professor a respeito dos blogs. Para Carlos Eduardo Lins, “Os blogs são porta-vozes de grupos pequenos, possuem menor audiência que a rede globo e só defendem o interesses de grupos menores”, comenta. O professor ainda completa, “Quem freqüenta um blog, não visita para ter dúvidas, mas sim para fortalecer suas idéias”.
Embora a reação contrária de alguns jornalistas (vale salientar que esse foi o clímax da palestra), a aula inaugural voltou a seqüência de histórias sobre a origem do jornalismo. Pouco foi falado, mas muito discutido.
O fim do jornal impresso
A polêmica que gira em torno de um do meio de comunicação tomou parte da palestra, mas foi levemente acalmada pelo discurso do professor, “Eu não me preocupo muito, quando a televisão chegou, disseram que o rádio ia morrer. O jornal impresso pode perder parte da sua circulação, mas não vai morrer”, explica.
Para fundamentar sua explicação, Carlos Eduardo Lins, coloca “A leitura no papel traz valores cognitivos que a TV não traz. Esse valores são importantes para o desenvolver intelectual do ser humano”.
Ombudsman
No decorrer da palestra, em resposta a reportagem do INTRA COMUNICAÇÃO, o jornalista começou a detalhar, mesmo que brevemente, a sua experiência como Ombudsman, que começara em abril de 2008, no jornal Folha de São Paulo.
O mesmo definiu a experiência como “legal”, a interação que se ganha com o leitor é imensa, “Muitos leitores manda os seus blogs para que eu avalie como ombudsman, o problema é que a maioria só quer ouvir o que eles pensam”, diz. O professor relatou algumas pequenas histórias sobre as experiências boas e ruins que passou na pele, como o crítico jornalístico, mas preferiu não se aprofundar.

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